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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Não dá mais, precisamos conversar.



Quem nunca tremeu diante da frase: “precisamos conversar”?

O relacionamento já não estava lá aquela coisa, o café da manhã se resumia em apenas uma xícara e a noite em uma cama de casal de solteiro.  Aí de repente, um deles toma um poção de coragem em busca de um entendimento da vida e resolve desabafar...
Em simplesmente ouvir: Não dá mais. “Como assim não dá mais? De uma hora pra outra você resolve terminar tudo? Olha o que construímos...”.

A química do corpo entra em catarse. As reações fisiológicas de uma despedida é a única verdade que se pode ter certeza naquele momento. O derretimento de uma calda quente no pescoço, o suor nas mãos, uma vibração descompassada dos batimentos e milhões de pensamentos aleatórios, de vários momentos, inclusive de nos levar a pensar numa pegadinha e que tudo aquilo vai passar em instantes.

As coisas da autodefesa, que virão depois, são uma consequência do emaranhado da não aceitação e medo do fim. Mas que coisas são essas? Ora! A desesperança que ecoa nos gestos.

O desespero entra em colisão frontal com a própria realidade e o mundo desaba numa paulada só. O medo entra na cena de um filme de terror e arrependimento. A palavra desculpa vira perdão e o reconhecimento de todos os erros leva a uma humilhação. Ficar de joelhos e mendigar o que antes tinha de sobra é um gesto que não leva minutos para fazer.

A pessoa sabe que implorar as desculpas entre berros e lágrimas não vai resolver, mas aquilo tem que sair de algum jeito, pois o corpo inteiro começa a derreter.

E todo esse teatro da vida real é o único em que sabemos que não terminará com aplausos. À medida em que as cenas aumentam, a razão diminui. O protagonista sabe de tudo, porém esqueceu quem ele era naquele papel principal.

Esqueceu-se de perguntar ao seu computador o porquê de não conseguir dormir na madrugada e qual o problema que deveria corrigir para evitar o vírus de noites e mais noites frente a uma tela de 15 polegadas. Enquanto, alguém, do outro lado da peça, esperava um conforto para se abraçar.

Eis que surge o escuro e no alto da noite, saímos à loucura de um desabafo próprio. Saímos à procura de uma saída para a dor. Saímos com a liberdade de fazer o que quiser, mas o livre arbítrio não vale ser livre sozinho.

De que adianta uma liberdade para fazer o que quiser se o que existe é apenas uma tamanha tristeza? Sim, estou falando do fim do bom dia, do fim da companhia, do fim de uma troca de olhares para continuar o silêncio. Do fim de um relacionamento. Pois é, como falam: é a vida, faz parte, foi melhor assim.

Nada adianta nos medicarem com clichês e quem faz isso também sabe. É a vida? Poxa! Era uma vida que reunia duas delas. Faz parte? Meu coração é que se parte. Foi melhor assim? Melhor é uma palavra futura que, dependendo do caso, levam-se uns cinco anos para um pouco melhor.

Pois é, uma pena as coisas serem assim e se repetirem até o dia em que o nosso tempo quiser. Se é uma pena, sei lá. Talvez duas, três, quatro. Não importa porque é um mistério essa sucessão química que nos faz sentir.

Aí de repente, alguém chega sem hora certa e o teu mundo faz dããã! : o amor tomou conta de tudo e o tudo tomou o melhor café da manhã pra sempre. Você fica de joelhos sem pensar que um dia fez isso por desespero. Pronto! É o amor, ele te joga de quatro e todos os pássaros começam a voar.


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