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sexta-feira, 7 de abril de 2017

Quando beijei o aroma daqueles lábios...


Dia desses abri os olhos e em seguida a cortina do quarto. Pelas escadas subiu um aroma de café passado. Então, o imaginário veio à tona. Não sabia quem estava segurando o bule e tampouco saboreando o cheiro de café. Nada implicava. O encontro aromatizado de essências me jogou num sonho paralelo de ter alguém mais próximo de mim. 

Seria, então, o meu dia. Ou o meu sonho despertado? Tão só comigo que o café e o sol da manhã já me defendiam. Quando provei o primeiro gole de café, meus lábios já se vestiram de prazeres cafeinados. Comecei a deslizar os lábios em volta xícara lentamente foi cheirando o vapor quente e dando voltas fascinantes. Logo enxergo teus lábios no reflexo daquela cor escurecida. Beijamo-nos de jeito vaporizado e possuído de cafeína. 

Aquele aroma me induziu a ti, em cada gole, meu corpo aquecia mais fortemente. Tomei despercebida das coisas cotidianas da vida que me trazem você. Quando dei o último sorvo, enxerguei-me no fundo da xícara e nada mais pude beijar. Onde estaria? Evaporou com ele também? Jamais. Desapareceu por dentro de mim e ali se aquietou. 

Um sonho, um café, um sol. A cortina balançando com a vibração do vento e o aroma me levando para mais longe da xícara que me restou beijar mais nada e assim, realmente, acordar com toda a verdade de que imaginar não custa nada. Beijar vale um encontro fantasioso e o tempo que ele dura nos manterá mais vivos para experimentar o café pela segunda vez, de verdade agora. 

Qual é duração de um sonho? Quanto tempo ele permanece tão bem vivo? Mesmo quando estamos despertados para a vida, o sonho ainda professa? Ah! Interrogações das quais as respostas não acertariam as questões da vida agora. 

O fato é que sonhamos com os olhos acessíveis, com aquilo que almejamos enxergar de forma menos concreta, mais impossível e menos doída a todos a nossa volta. Parece sonho que por vezes acredito que as coisas sonhadas são as nossas vontades reprimidas, alentos inatingíveis daquele período. 

Como sucedeu aquele café, mais alguns beijos puderam beijar. Seria amor tudo isso? O que é amor nesse momento? Eu amei aquele café passado, mas passou. Ele acabou também. Segui, então, para outras etapas da vida mundana de forma mais realística. Mais realizada internamente, mais viva, mais aromatizada e ponto. 

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